Três razões contra ‘o vício do homossexualismo’

Quarta passada li uma notícia interessantíssima: nas eleições para prefeito em Rondônia, os evangélicos se uniram contra a candidata Fátima Gleide, ex-relatora do projeto de lei anti-homofobia. Até aí tudo bem, e era de se esperar. O que chamou a atenção mesmo foi o rótulo viciados em homossexualismo (sic), usado, é claro, para se referir aos homossexuais.

Ok, vício é uma palavra antiga, usada por vários e vários séculos para falar de tudo que é deformado, defeituoso etc etc. Cego de nascença? Viciado! Míope? Viciado! Claro, em pleno século XXI, no português do senso comum – que é o que o povão vai entender quando ouvir a palavra – a história é outra. 

Por isso, seguem abaixo três ‘pequenas’ razões pelas quais a expressão “vício do homossexualismo” está redondamente errada. E eu nem vou entrar no mérito do ‘ismo’.

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1 – Homossexualidade não é vício porque não é hábito

Homossexualidade não precisa, sequer, ser praticada. Homossexualidade é tendência interna, é desejo: ser casado com mulher não é garantia nenhuma de que o fulano não é homossexual. “Comer todas” também não. Nada impede o cara de, durante o sexo com mulheres, manter a ereção à base de fantasias com homens. E é claro: o mesmo vale para mulheres. O ser humano homossexual sempre tem a escolha de fazer sexo com nível de prazer baixíssimo ou nulo pro resto da vida. Claro, essa é uma escolha pra lá de depressiva. Mas o ser humano em questão continuará sendo homossexual.

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2 – Homossexualidade não é vício porque homossexuais não têm compulsão por homossexualidade

Viciados em cigarro, álcool, maconha, crack, cocaína, esportes, trabalho ou sexo são compelidos, atraídos para seus vícios por uma força mais ou menos poderosa, dependendo do caso. No entanto, em todos esses casos, essa força é mais poderosa do que as que as outras pessoas experimentam. Essa força é tão poderosa que o viciado prefere prejudicar a si mesmo e às pessoas ao redor do que sofrer a ansiedade, a irritação e até a dor física da falta de seu vício. O viciado pode gastar dinheiro todo dia, roubar esse dinheiro, deixar de trabalhar, de comer, de dormir, para fugir da abstinência.

Homossexuais não sentem isso em relação à homossexualidade. Na verdade, homossexuais têm necessidade de sexo – e afeto – homossexual exatamente na mesma medida que heterossexuais têm de sexo e afeto heterossexual. Homossexuais não têm necessidade de pensar em homossexualidade 24 horas por dia. Podem trabalhar, se divertir,  estudar e produzir por horas a fio sem pensar em romance ou sexo, exatamente como os heterossexuais podem. E sim: há homossexuais viciados em sexo tanto quanto há heterossexuais viciados em sexo. O vício, nesse caso, é o sexo em si, e não a homossexualidade. E o tratamento é o mesmíssimo, tanto para homo quanto para heterossexuais.

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3 – Homossexualidade não é vício porque não faz mal

Ao contrário do que os religiosos pregam, homossexualidade, em si, não faz mal algum ao ser humano. Coloque uma pessoa homossexual num ambiente ideal, um ambiente onde a família, os amigos e todas as pessoas não ligam a mínima pra com quem esse ser humano faz sexo desde que seja sexo consensual entre adultos. O que vai acontecer com essa pessoa? Simples: a vai viver feliz com sua sexualidade pro resto da vida.

Nesse mundo perfeito, em momento algum essa pessoa pensaria em ser heterossexual. E o mais importante: ser homossexual não traria problemas de saúde para essa pessoa, não é incrível? Claro, esse ser humano homossexual poderia ter doenças sexualmente transmissíveis, mas os heteros também podem ter. Essa pessoa teria que usar camisinha, mas os heteros também têm que usar. Teria desilusões amorosas, mas os heteros também têm. E não, não vale dizer que a saúde dessa pessoa homossexual teria sua saúde prejudicada pela prática de sexo anal. Primeiro, porque esse nosso ser humano homossexual hipotético não necessariamente é um homem passivo: pode ser lésbica, pode ser homem ativo e pode ser homem que prefere sexo sem penetração. Segundo, porque sexo anal é só UMA das formas de homossexuais – e heterossexuais – fazerem sexo, já que masturbação mútua e sexo oral podem render orgasmos tão ou mais poderosos que penetrações. E terceiro, porque sexo anal, em si, não faz mal à saúde.

O que realmente faz mal à saúde do homossexual é a homofobia, que hospitaliza, aleija, mata e leva ao suicídio. E não, homofobia não é só bater em homossexuais. Qualquer forma de repulsa à homossexualidade é homofobia: piadinhas, comentários, fofocas, broncas, olhar torto. Isso é que faz mal à saúde dos homossexuais. 

Por essas e outras é que a Organização Mundial de Saúde não considera mais homossexualidade doença . Por essas e outras é que a Justiça endossou que o Conselho Federal de Psicologia continue proibindo que psicólogos tentem transformar homossexuais em heteros. E o Conselho de Psicologia não mantém essa proibição pra ser politicamente correto não: eles têm provas científicas de que ceder à homofobia e tentar “curar” homossexuais, além de não funcionar, só traz mais sofrimento. E o pior: pode até matar.

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